segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Poesias




O ROMÂNTICO E SONHADOR DOS ANOS 50

Este octogenário jamais teve a pretensão de se dizer ou se julgar poeta um dia. É como disse um poeta: “Poeta que é bom já nasce feito”: derrama versos e versos com facilidade. Em suas poucas tentativas, os seus lhe saíram de um esforço ingente, pura teimosia pela vontade de externar sentimentos, pois em sua juventude achava que emoções e sentimentos soavam e se expressavam bem melhor em versos.

Mas que fixação por olhos tinha! Noutros mundos não sabe, ainda não tem deles lembrança, mas, neste mundo de Deus, olhos sempre foram as janelas douradas da alma humana... mormente os femininos. E juntando pedaços dos poucos versos de que lembra – e já se passou pouco mais de meio século – sobraram esses bem sofridos versos, lavra intensa de um romântico e sonhador dos anos cinqüenta.

Como é bom ser jovem, como é bom sonhar!

TEUS OLHOS

Teus olhos trigueiros,
Gentis, feiticeiros,
Olhar que seduz;
São meigos, escuros,
Angélicos, puros,
São cheios de luz.

Teus olhos brilhantes,
Sutis, deslumbrantes,
Dão vida e calor;
Felizes, risonhos,
São feitos de sonhos,
De sonhos de amor.

TEU OLHAR

Às vezes fico a pensar
Nesse teu olhar profundo,
Tão profundo quanto o mar.

E sempre penso co’ ardor
Nesse fascinante mundo,
Mundo de prazer e amor.

Mais longe dos olhos teus,
Tudo é quimera - ilusão.

Quero-os bem perto dos meus,
Senti-los no coração.


O QUE É O AMOR?

Você me perguntou, querida,
O que é o amor,
O que é amar?

Ninguém o definiu ainda ao certo,
Porém se a gente tem o coração aberto
Para sentir-lhe o efeito embriagador,
Pode dizer que amar é querer dar felicidade
A alguém que a gente sonha um dia ter
E, muita vez, sem esperança de ventura;

É o desejo de sentir em nosso peito
Tudo aquilo que sente o ser eleito,
Quer na alegria,
Quer na agrura.

Por que gostar, por que gostar tanto assim?
Vivo constantemente neste enleio,
Na esperança, neste anseio
De vê-la para sempre junto a mim.

Amor, querida,
É tudo isso que sinto
Por você agora,
E sentirei, não minto,
Embora sem saber por quê,
Por toda minha vida em fora.

SÚPLICA

És Tu, Senhor, refúgio e fortaleza,
Socorro bem presente na tristeza;
Pelo que não temerei desenganos,
As muitas lutas através dos anos.

Só Tu, Senhor, tens sido o braço forte
Daqueles que lutaram ‘té a morte,
Para levar ao mundo o Teu perdão,
A Tua Graça, amor e salvação.

Quero, Senhor, sentir Tua mão amiga,
Mão que conforta, guia e nos abriga
Pelo caminho incerto da existência;

Quero viver a vida que Tu queres,
Co’ amor fazer a obra que me deres,
Sempre com fé na Tua Onipotência.




Milton Almeida


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